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domingo, 10 de julho de 2016

Lendas, parlendas e trava-línguas


Lendas

Lenda é uma narrativa fantasiosa transmitida pela tradição oral através dos tempos.
De caráter fantástico e/ou fictício, as lendas combinam fatos reais e históricos com fatos irreais que são meramente produto daimaginação aventuresca humana. Uma lenda pode ser também verdadeira, o que é muito importante.

A lenda do guaraná
No começo dos tempos, um casal de índio Maués que não tinha filhos implorou a Tupã que lhes mandassem uma criança. Como os dois eram muito bons, o Deus lhe enviou um lindo menino, que cresceu bonito e generoso. Ajudava a mãe na lavoura, caçava com os outros homens da aldeia e respeitava muito os velhos e as tradições. Era amigo de todos na tribo.
Mas, um dia, Jurupari, o Deus da escuridão, ficou sabendo do menino e sentiu ódio porque o amavam. Decidiu acabar com ele. Esperou que fosse a floresta coletar frutos. Então, transformou- se em uma serpente e o picou. O pobrezinho não resistiu ao veneno e morreu. A notícia se espalhou rapidamente com muitos gritos de desespero e tristeza. Então, Tupã mandou que a tribo enterrasse os olhos da criança perto da aldeia.
Tempos depois, naquele lugar, cresceu o guaraná, planta que fortalece os fracos, conserva os jovens e rejuvenesce os velhos.
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A lenda da vitória-régia
No começo do mundo, a Lua era um guerreiro bonito que volta e meia escolhia uma jovem para ser sua amada e a transformava em uma estrela. Naiá, filha do chefe da tribo apaixonou-se perdidamente pela Lua. Todas as noites, ela pedia para ser escolhida, mas a Lua continuava sempre distante.
Certa noite, Naiá viu a imagem do amado refletida no espelho tranquilo de um lago e pensou que ele tivesse vindo busca-la. Louca de alegria mergulhou nas águas profundas e foi tão longe que acabou se afogando.
A Lua quis recompensar o amor da jovem e a transformou em uma planta majestosa. Até hoje, podemos vê-la nas águas da Amazônia. Suas flores brancas e perfumadas só abrem a noite e ficam cor de rosa ao nascer do sol.

A lenda da Mandioca
Nasceu uma indiazinha linda e a mãe e o pai tupis espantaram-se:
            - Como é branquinha esta criança!
            Chamaram-na de Mani. Comia pouco e pouco bebia.
            Mani parecia esconder um mistério. Uma bela manhã, Mani não se levantou da rede.
            O Pajé deu ervas e bebidas à menina. Mani sorria, muito doente, mas sem dores.
            E sorrindo Mani morreu.
            Os pais enterraram-na dentro da própria oca e regaram a sua cova com água, como era costume dos índios tupis, mas também com muitas lágrimas de saudade.
            Um dia, perceberam que do túmulo de Mani rompia uma plantinha verde e viçosa. A plantinha desconhecida crescia depressa.
Poucas luas se passaram e ela estava alta, com um caule forte que até fazia a terra rachar ao redor.
            - Vamos cavar? - comentou a mãe de Mani.
             Cavaram um pouco e, à flor da terra, viram umas raízes grossas e morenas, quase da cor dos curumins, nome que dão aos indiozinhos. Mas, sob a casquinha marrom, lá estava a polpa branquinha, quase da cor de Mani.
            - Vamos chamá-la de Mani-oca. - resolveram os índios.
             Transformaram a planta em alimento.
             E até hoje, entre os índios do norte e do centro do Brasil, este é um alimento muito importante.
              E em todo o Brasil (e não só!), quem não gosta da Mandioca?
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A lenda do Quibungo
Quibungo é um mito da África que chegou ao Brasil através dos bantus e se fixou na Bahia. 
           É um monstro, meio homem, meio bicho, que tem uma cabeça enorme e uma grande boca no meio das costas.
           Come as pessoas, especialmente crianças, abrindo a boca e atirando-as dentro dela.
           Apesar de voraz e feio, o Quibungo não é nada inteligente, e é muito vulnerável.
Ele pode ser atacado por qualquer meio, seja por arma branca ou de fogo.

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A lenda da gralha azul
Gralha azul é o nome dado a uma linda ave que motivou no Paraná, a tradição de plantadores de pinheiros, enterrando as sementes com a ponta mais fina para cima e devorando a cabeça, que seria a parte apodrecida. Não deve ser abatida e é comumente respeitada pelo povo como ave protetora dos pinheirais. Conta a lenda que, uma certa gralha negra, dormia num galho de pinheiro e foi acordada pelo som dos golpes de um machado. Assustada, voou para as nuvens, para não presenciar a cena do extermínio do pinheiro. Lá no céu, ouviu uma voz pedindo para que ela retornasse para os pinheirais, pois assim ela seria vestida de azul celeste e passaria a plantar pinheiros. A gralha aceitou então a missão e foi totalmente coberta por penas azuis, exceto ao redor da cabeça, onde permaneceu o preto dos corvídeos. Retornou então aos pinheirais e passou a espalhar a semente da araucária, conforme o desejo divino. Esta lenda na verdade é um fato real. A Gralha-azul tem o hábito de enterrar pinhões. Após encontrar o local correto, ela pressiona-o a entrar, dando-lhe golpes com o bico, até a completa introdução. Não contente com isso, ainda coloca algum material das redondezas como folhas, pedras ou galhos em cima do local remexido, de forma a camuflar ou disfarçar o feito realizado.

Parlendas

Aparlendas são conjuntos de palavras com arrumação rítmica em forma de verso, que podem rimar ou não. Geralmente envolvem alguma brincadeira, jogo, ou movimento corporal.

Uni duni tê
Salame minguê
Um sorvete colorê
O escolhido foi você

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Rei, capitão
Soldado, ladrão
Moça bonita
Do meu coração

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Dedo mindinho
Seu vizinho
Maior de todos
Fura bolo
Mata piolho

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Cadê o toucinho
Que estava aqui?
O gato comeu.
Cadê o gato?
Foi pro mato.
Cadê o mato?
O fogo queimou.
Cadê o fogo?
A água apagou.
Cadê a água?
O boi bebeu.
Cadê o boi?
Foi carregar trigo.
Cadê o trigo?
A galinha espalhou.
Cadê a galinha?
Foi botar ovo.
Cadê o ovo?
O frade bebeu.
Cadê o frade?
Tá no convento.
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Batatinha quando nasce
Espalha a rama pelo chão.
Menininha quando dorme…
Põe a mão no coração.

Trava-línguas

Os trava-línguas brincam com o som, a forma gráfica e o significado das palavras.  A sonoridade, a cadência e o ritmo dessas composições encantam adultos e crianças. O grande desafio é recitá-los sem tropeços na pronúncia das palavras.

O Rato roeu a roupa do rei de Roma,
O rato roeu a roupa do rei da Rússia,
O rato roeu a roupa do Rodovalho...
O rato a roer roía.
E a Rosa Rita Ramalho
Do rato a roer se ria.
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Farofa feita
Com muita farinha fofa
Faz uma fofoca feia.

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Aranha arranha a rata, a rata arranha a aranha,
A aranha e a rata arranham a ratazana.
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Um prato de trigo para um tigre.
Dois pratos de trigo para dois tigres.
Três pratos de trigo para três tigres.

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Olha o sapo dentro do saco
O saco com o sapo dentro
O sapo batendo papo
E papo soltando vento

Narrativa

Como seria a história da Cinderela nos dias de hoje???

Cinderela do século XXI





Na cidade de Porto Alegre mora uma menina chamada Cinderela. Cinderela é uma menina linda que ficou órfã de mãe ao nascer. O pai dela, o senhor Walter sempre a cuidou com muito carinho e amor. Ele tinha uma preocupação em arrumar uma “mãe” para sua filha. Quando ela tinha 2 anos ele resolveu morar junto com Filomena que tinha duas filhas gêmeas da mesma idade. Filomena parecia ser uma pessoa boa, mas com o passar do tempo, começou a mostrar-se invejosa e malvada. Cinderela era linda e sem nenhum esforço. Já suas filhas eram bem feinhas, Um dia a madrasta de Cinderela e seu pai viajaram para a Gramado e na volta infelizmente sofreram um acidente. Walter morreu e Filomena ficou com uma enorme cicatriz no rosto. Desde esse dia ela pegou mais implicância ainda com a enteada. A moça passou a ser explorada por ela e suas filhas. No ano seguinte as três meninas foram para o ensino médio e lá conheceram Eduardo, que era filho do Diretor. Eduardo era lindo e muito popular. Em setembro, sempre acontecia a festa da primavera e era de praxe que a Rainha dançasse com Eduardo. Ele fazia questão, para manter a popularidade, mas era um bom guri, justo e educado. As meninas ficaram entusiasmadas para o baile, mas a pobre da Cinderela já sabia que não poderia ir, pois não tinha nenhuma roupa para festas. Dito e feito, Filomena comprou vestidos lindíssimos para as filhas e disse que se Cinderela limpasse a casa direitinho poderia usar um de seus vestidos velhos. Por sorte, Cinderela tinha uma vizinha que era como uma fada madrinha para ela. Era uma senhora humilde, mas de um coração gigante, que assim que soube tratou de reformar um vestido seu antigo, sem que Cinderela soubesse. No dia do baile, Cinderela foi passar o vestido velho que havia arrumado para ir ao baile e o encontrou todo manchado. A mocinha começou a chorar e correu até a casa de dona Maria sua vizinha. Ao chegar lá encontrou a senhora, finalizando sua surpresa, um vestido lindo e finalmente poderia ir ao baile. Cinderela começou a se arrumar, dona Maria fez uma maquiagem linda nela, mas advertiu: - Essa maquiagem tem duração de seis horas, então meia noite você precisa ir embora ou irá ficar toda borrada. Cinderela compreendeu e em seguida chegou seu Uber para leva-la até a festa. Chegando lá, todos ficaram admirados com sua beleza, principalmente Eduardo que dançou com ela a noite todo mesmo antes de ter ganho o prêmio de Rainha da Primavera. Meia noite tocou o despertador de seu celular e Cinderela deve que partir. Eduardo nem se quer conseguiu terminar de anotar o número de seu WhatsApp. As filhas da madrasta trataram logo de contar que Cinderela foi ao baile e só ela quis dançar com Eduardo. A madrasta indignada, transferiu-a para um colégio interno bem longe. Eduardo procurou-a no Facebook, Instagram, grupos de WhatsApp e nada. Somente após completar o Ensino Médio é que pode sair do colégio interno. Para sua felicidade, conseguiu passar no vestibular da UFRGS e no dia da matrícula por força do destino, esbarrou-se com Eduardo. Foi amor à segunda vista. Desde então eles estão namorando. Já marcaram a data do noivado e planejam casamento. Quanto a madrasta, Cinderela ganhou causa na justiça, conseguiu provar maus-tratos e a megera vai prestar serviços comunitários nos próximos dez anos.
    Josiana Félix Rosa da Silva


   


domingo, 8 de maio de 2016

Literatura e as Diferenças

O texto Nas Tramas da Literatura Infantil: Olhares sobre Personagens “Diferentes”  aborda as diferentes literaturas sobre os “diferentes”. Os autores de uma forma bastante interessante abordam temas com vários enfoques. Tratam sobre crianças cegas, surdas, deficientes físicas, daltônicas etc.
Acredito que cada vez mais essa temática vem sendo trabalhada em nossas salas de aulas, com diferentes manejos, mas principalmente através das literaturas.
Os livros nos trazem um mundo de possibilidades, pois através deles conseguimos abordar diversos assuntos através do encantamento e da suavidade com que os autores nos transmitem.
Não só questões relacionadas às deficiências, mas entre outras diferenças, até mesmo com relação ao nível em que cada criança se encontra pode ser trabalhado com esses livros. Um exemplo claro são os momentos de leitura que acontecem em minha sala de aula com a turma de Se Liga (programa para alunos em distorção- idade /série destinado à correção de fluxo) onde todos podem ler, pois, tem livros para todos, seja os de bastante, pouca ou nenhuma palavra.
Percebo também, que as crianças estão aprendo a aceitar melhor as diferenças no outro.

Acho importante potencializar as habilidades e competências dos “diferentes”, como no livro “A gaivota que não podia ver” (livro 6).



Uma gaivota teve uma ninhada de filhotes lindos que saíram dos ovinhos num dia de sol.
Logo mamãe gaivota notou que havia algo diferente com um dos filhotes. Vivi era uma gaivota muito tímida.Enquanto todos os outros filhotes já estavam ensaiando passos fora do ninho, Vivi nem sequer se mexia do lugar.
A gaivotinha tinha dificuldades na hora de pegar o alimento trazido pela mãe e parecia estar sempre olhando para o infinito como se visse algo diferente no ar.
Logo a mãe de Vivi compreendeu.A gaivotinha não podia ver.Por isso , mamãe gaivota precisava dar atenção redobrada para ela. Ela ajudava em todas as tarefas e dava muito carinho. Vivi jamais poderia ver a cor do céu,das árvores do mar...
Quando Vivi começou a sair do ninho,ajudada pela mãe gaivota, virou motivo de piada dos outros irmãos. Por não enxergar batia nas árvores, tropeçava em galinhos e caía no chão
- Ah, AH, AH! Olha só esta gaivota atrapalhada! Saiu de um circo menina?
Assim gritavam as gaivotas do grupo que riam de Vivi.. Enquanto todas já voavam pelos céus, Vivi conseguia caminhar sozinha pelo chão
Quando ficava sozinha Vivi chorava baixinho.
- Por que todos podem ver e eu não? Por que Deus do céu me fez nascer assim?
-Quando Deus nos faz diferentes por algum motivo , nos dá em dobro capacidades que os outros não têm. Você pode ver com o coração e um dia vai descobrir um dom maravilhoso!
Vivi aprendeu, aos poucos a conhecer o lugar onde morava. Voando ao lado da mãe gaivota ela ficou sabendo onde estava cada árvore,cada rochedo, onde estava a praia e onde chegavam as ondas do mar.
Vivi aprendeu a pescar, mergulhando nas ondas para pegar peixes e quando voava sentindo o vento nas asas, sentia-se uma gaivota muito especial.
Aos poucos a gaivota que não podia ver aceitou o fato de ter nascido diferente das outras.E as brincadeiras já não a faziam chorar. Assim, começou
a treinar vôos diferentes alguns mais altos, outros mais baixos que as gaivotas comuns não conseguiam fazer. Até mesmo voltas no ar faziam parte do vôo de Vivi. As outras gaivotas reunidas em grupos como é o costume delas, continuavam a rir de Vivi.
- Vejam ela só quer se mostrar! Acha que pode voar como um avião!
- Mas no meio delas , uma pequena gaivota passou a admirar Vivi e resolveu se aproximar.No inicio, muito cautelosa,apenas observava Vivi de longe. Depois, escondida atrás das pedras, seguia de pertinho cada passo de Vivi.
- Venha cá disse um dia Vivi sentindo que a gaivotinha a estava espiando.
- Desculpe, pensei que você não pudesse ver?.
Vivi então explicou que seus olhos não enxergavam, mas seu coração era capaz de sentir tudo o que ocorria ao seu redor.
- Posso aprender a voar como você? Perguntou a gaivotinha.
- É claro, disse Vivi abraçando a nova amiga com suas longas asas.
Ainda hoje, quando vamos à praia, podemos ver Vivi, voando como ninguém pelos céus, pescando seus peixes e sentindo o sabor do vento nas asas longas e aí sabemos que Vivi, mesmo sem poder ver, é uma gaivota muito, muito especial.

domingo, 1 de maio de 2016

Cantando a gente também aprende

Depois da aula de Literatura, onde ouvimos a música “Construção”, de Chico Buarque, ao saber da história da música, principalmente a parte em diz que o autor brincou usando uma porção de palavras paroxítonas, fiquei bastante empolgada em levar para a minha sala de aula esse aprendizado.
Conversando com a colega Gisa, ela me sugeriu uma outra música, a qual ouvi e adorei.
Levei essa música para trabalhar com minha turma de Acelera e para minha surpresa e satisfação, eles adoraram.
A música trabalhada foi “ Todos os verbos”, de Zélia Duncan.
Assista ao vídeo:

Em primeiro momento deixei que ouvissem a música sem dizer nada, depois perguntei se imaginavam o porquê de colocado aquela música, fui questionando até que eles se dessem conta que iriamos trabalhar os verbos. A partir daí perguntei se sabiam o que eram verbos, para que serviam. Coloquei a letra da música no quadro e localizamos os verbos.
No final da aula todos estavam cantando a música e um dos meninos disse:
- Nunca mais, vou esquecer o que é verbo!!!

E essa frase dele nos confirma que realmente uma aula diferente desacomoda e a aprendizagem acontece.

domingo, 24 de abril de 2016

Mudanças

E quando eu menos esperava tudo mudou
As turmas que eu tanto amava o vento levou
E eu fiquei ali
Sem chão
Sem rumo

Perdida num espaço
Que não era o meu

Sala nova
Alunos novos
Tudo novo

Revolta, medo, inquietação
Vontade de desistir, irritação
Rejeição

Respirar, (re)planejar, buscar
Entender, desapegar
Deixar ir
Aceitar e recomeçar

Josiana Félix Rosa da Silva