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domingo, 24 de junho de 2018

ALFABETIZAÇÃO E EMPOWERMENT POLÍTICO


      Na primeira metade do século XX, o teórico social italiano Antonio Gramsci defendia a alfabetização como sendo essencial para todos. Ele pensava a alfabetização como instrumento fundamental de luta contra a dominação, que daria a oportunidade de voz ao povo para que se pudesse construir uma sociedade ativa. Gramsci entende o processo de alfabetização com uma prática social, que deve estar vinculado ao conhecimento, ao poder, bem como a luta político e cultural.
       O texto de Giroux mostra a alfabetização como instrumento desigual entre a classe média e trabalhadores, a qual privilegia aqueles com mais condições.
         A partir dos estudos ficou ainda mais claro que a educação contemporânea precisa ser vista como uma forma de política cultural que significa perceber as dimensões sociais, culturais, política e econômica da vida cotidiana dos envolvidos no processo de escolarização. Neste cenário se estabelecem relações de poder e de conhecimento, onde o processo de alfabetização torna-se a emancipação social e cultural. Um exemplo que não devemos seguir é o do professor que muitas vezes se choca e escandaliza com as situações que presencia em sala de aula, e que ansioso em proporcionar a compreensão e ampliar a visão dos alunos aplica uma correção equivocada, política e ideológica de sua posição, uma vez que apresenta os seus valores e crenças construídos ao longo de sua vida. Desta forma apresenta um discurso autoritário que revolta, silencia e marginaliza os alunos.
         Contudo, a pedagogia crítica proposto pelo autor nos leva a dar voz e vez aos sujeitos para manifestar seus pensamentos, apresentarem sua narrativa pessoal para a partir daí então explorar e conhecer outros significados e visões de mundo. Cabe ao professor estabelecer um diálogo crítico, proporcionar ao aluno o contato com linguagens e discursos diversos que ampliem os horizontes e levem os alunos a confrontar suas ideias, suas certezas e dúvidas a fim de desenvolver uma sintonia, uma confiança compartilhada no compromisso com a melhoria da qualidade de vida humana.                   Em se tratando de adulto Carvalho (2010, p. 53) enfatiza,

"Sugiro conversar sobre a vida deles, o que fazem fora da escola, se trabalham, do que gostam etc. No caso talvez uma notícia de futebol, uma letra de rap ou de uma canção, uma piada, um anúncio ou bilhete, que sejam atraentes, até porque a maioria passou por muitas experiências frustrantes e já conhece os nomes das letras. Deve ser aflitivo para esses adultos terem sempre a sensação de começar do zero, portanto é bom escolher um texto diferente, usado na vida social, que seja uma novidade para eles."         
            Adultos aprendem melhor quando percebem que o que estão aprendendo se aplica a sua realidade e se motivam quando percebem transformações em suas aprendizagens. O aprendizado por resolução de problemas, com tarefas e atividades a serem executadas ao invés de memorizadas, por exemplo, irá estimular a construção de conhecimentos partindo do conhecimento prévio do aluno ao mesmo tempo em que irão estimular sua autoestima e sua própria valorização como cidadãos.
"A importância do papel do educador, o mérito da paz com certeza de que faz de sua tarefa docente não apenas ensinar os conteúdos mas também ensinar a pensar certo."(FREIRE, 1996, p. 27)

            Essas reflexões nos levam as novas metodologias, adequadas à realidade do educando, não seguindo a padronização da cartilha que reduz o aprendizado a símbolos pré-determinados e que não conduzem com o contexto, mas sim de priorizar o conhecimento trazido pelo o educando na sua bagagem de vida.
            Para Paulo Freire, a alfabetização não se dá pela repetição ou memorização de palavras ou sílabas. Alfabetizar é oportunizar que o sujeito perceba de forma crítica o mundo a sua volta.
O verdadeiro papel do professor é auxiliar o aluno a pensar e a ser crítico e não torná-lo uma máquina, o professor tem que ensinar o aluno a lutar pelo que deseja, pelo que acha certo, ou seja, o aluno tem que saber o que ele quer e que caminhos quer percorrer.
"Às vezes, mal se imagina o que pode passar a representar na vida de um aluno um simples gesto do professor."(FREIRE, 2001, p.9).

            O ensinar e a aprender envolvem um processo coletivo de troca de experiências e ideias. A educação de Jovens e Adultos é um programa que demonstra não só na teoria mas também na prática que é possível mudar os rumos sociais do nosso país através da educação, alfabetização; proporcionando aos jovens e adultos a alfabetização consciente, sendo esta, a formação para transformação do cidadão em seu exercício social.
      A necessidade da alfabetização torna-se cada dia mais urgente em um país onde as diferenças culturais e sociais demonstram ser o impedimento para o sucesso e a estabilidade econômica de todo um povo. O baixo nível cultural nas camadas sociais desprovidas de condições para cultivar o estímulo à educação e cultura torna a participação crítica em sociedade quase nula, sem que o indivíduo use a sua capacidade crítica de cidadão para construir uma nova visão política, econômica e social.
        Fazer possível que os indivíduos se tornem aptos a ler e entender as diferentes mensagens que o mundo os possibilita conhecer é tarefa precípua de todos os brasileiros e não apenas, de alguns poucos educadores.
Sugere-se garantir a participação ativa dos estudantes na EJA em processos educativos para as práticas sociais nas quais estejam envolvidas, desde a mais imediatas até as mais difusas, próprias das demandas da atual sociedade.
            Portanto, precisamos nos desacomodar deixar nossas certezas de lado e dar espaço a um olhar de amor e interesse às questões que às vezes nos parecem ter respostas tão óbvias, mas que para nossos alunos tem um significado diferente e que nem por isso deve ser desprestigiado. Precisamos respeitar as experiências de vida de cada sujeito demonstrando respeito à cultura popular, como afirma Freire, os educadores críticos são também educandos, uma vez que devem aprender a como renovar uma forma de autoconhecimento mediante uma compreensão da comunidade e da cultura que constitui ativamente as vidas de seus alunos. Enfim a valorização da pluralidade cultural contribui para uma educação emancipadora de comprometimento individual e social.

REFERÊNCIAS

CARVALHO, de Marlene. Alfabetizar e letrar: um diálogo entre teoria e prática, 7º ed. Petrópolis, R.J: Vozes, 2010.

GIROUX, A. Henri. Alfabetização e Empowerment Político, Introdução do Livro "Alfabetização", de Paulo Freire e Donaldo Macedo.
     


sexta-feira, 22 de junho de 2018

Práticas pedagógicas e concepções epistemológicas: alfabetização e letramento, no contexto da educação popular


Após as reflexões do nosso grupo acerca das contribuições de Paulo Freire para a alfabetização de jovens e adultos, entendemos que a prática do professor esta ativamente contextualizada nas vivências dos alunos. Para Freire, quando um aluno ingressa na sua vida escolar ele carrega consigo suas histórias e saberes e cabe ao professor alinhar seu planejamento diante de diferentes olhares e vivências.
Paulo Freire defende o quanto a educação também é um ato político, ou seja, abrange o sujeito como membro ativo da sociedade. Onde através do conhecimento adquirido se posiciona politicamente com o seu meio. 
Pensando assim, o processo de alfabetização vai muito além da associação de letras e sons, mas sim em um conjunto de habilidades fundamentadas a cultura de cada um.




Trabalho em grupo: Ana Comper, Ana Eliza Mincarone, Josiana Félix 

terça-feira, 5 de junho de 2018

Educação de Jovens e Adultos (EJA)


Alguns alunos acabam por abandonar os estudos pelos mais variados motivos: desinteresse, negligência da família, necessidade de trabalhar cedo, gravidez precoce, entre outros. E a EJA oportuniza a conclusão da escolarização a esse público, de forma diferenciada e com tempo de duração mais curto.

Funções da Educação de Jovens e Adultos  
  • reparadora- garantir o direito ao estudo que lhes foi negado outrora; 
  • equalizadora-  dar oportunidade àqueles que não puderam estudar na idade certa
  • qualificadora- mostrar que todos são capazes de desenvolver sua potencialidades 
Acontecimentos importantes na história da EJA

1854 -  surgiu a primeira escola noturna no Brasil cujo intuito era de alfabetizar os trabalhadores analfabetos.
1881 - foi concebido o Decreto nº 3.029, conhecido como “Lei Saraiva”,  que proibia o voto dos analfabetos por considerar a educação como ascensão social.
1910 - houve a expansão da rede escolar, e as “ligas contra o analfabetismo”, que visavam à imediata supressão do analfabetismo, vislumbraram o voto do analfabeto.
1942 - a educação profissional passa a ser vislumbrada como importante veículo para que os cidadãos tenham acesso às conquistas tecnológicas da sociedade como um todo.
1947 - realização do 1º Congresso Nacional de Educação de Adultos.
1949 - realização do Seminário Interamericano de Educação de Adultos.
1958 - Juscelino Kubitscheck de Oliveira, então presidente da república, convoca grupos de vários estados para relatarem suas experiências no “Congresso de Educação de Adultos”.
1967 - o Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL) e a Cruzada ABC, constituíram-se em movimentos concebidos com o fim básico de controle político da população, através da centralização das ações e orientações, supervisão pedagógica e produção de materiais didáticos.
1971 - a Lei nº. 5.692 (BRASIL, 1971) regulamenta o Ensino Supletivo (esse grau de ensino visa a contemplar os jovens adultos).
1985 - o Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL) é extinto.
1990 - ocorre a descentralização política da EJA, transferindo a responsabilidade pública dos programas de alfabetização e pós-alfabetização aos municípios.
1995 - a Lei nº. 9.394 faz referência aos cursos e exames supletivos e, assim, continua a ideia da suplência, de compensação e de correção de escolaridade. A redução das idades mínimas de 18 para 15 anos para o ensino fundamental e de 21 para 18 anos para o ensino médio vem corroborar com a desqualificação desta modalidade de ensino.
1996 - O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta,15.560.260 pessoas analfabetas na população de 15 anos de idade ou mais, perfazendo 14,7% do universo de 107.534.609 pessoas nesta faixa populacional.
2000 - Parecer CNE/CEB nº 11 das Diretrizes Curriculares para a EJA descreve essa modalidade de ensino por suas funções: reparadora, pela restauração de um direito negado; equalizadora, de modo a garantir uma redistribuição e alocação em vista de mais igualdade na forma pela qual se distribuem os bens sociais; e qualificadora, no sentido de atualização de conhecimentos por toda a vida.
2003 a 2006 - criação do Programa Brasil Alfabetizado.